quinta-feira, 27 de julho de 2017

MUITO ALÉM DE PASSOS... Os benefícios de uma vida dançante.

Por: Pamela Giseli da Silva

Introdução
Quando começamos a trabalhar com baby class, independente da nossa formação e experiência no ballet entendemos o quanto ainda temos que aprender desse universo da arte da dança, entendemos o quanto uma criança pode surpreender positivamente ou negativamente durante uma aula, e o quanto temos que estar preparados para vários tipos de reações espontâneas que podem acontecer a qualquer momento.
 No início achamos que faremos elas entrarem em nosso mundo de passos e posições, mas no fim compreendemos que isso só é possível se nós entrarmos no mundinho delas. E isso torna tudo ainda mais mágico.

Dar aula para crianças vai muito além de conhecimento técnico em ballet, é permitir-se entrar no mundinho lúdico delas e compor um ambiente imaginário em que todas entendam e queiram entrar na brincadeira.
Em uma turma de baby aprendemos muito, acho que mais do que ensinamos, aprendemos o quanto somos competitivos desde pequenos e como cada um tem um jeito particular de lidar com desafios e limitações. As crianças nos surpreendem não só em gestos e carinhos, mas muitas vezes também com movimentações espontâneas que demonstram total vocação para dança.
Entender o corpo e o desenvolvimento de cada fase é fundamental, para assim respeitarmos o limite individual de cada criança.
O ballet traz um conhecimento íntimo do próprio corpo, temos que sempre estar estimulando movimentações diferentes e sempre desafiando a conseguirem evoluir, sem deixar nenhuma frustração por não conseguirem atingir o que a amiguinha conseguiu, sempre com carinho e paciência, mostrando que cada uma tem seu tempo e sua habilidade particular, assim ajudando em seu desenvolvimento motor.
O ballet traz inúmeros benefícios no desenvolvimento de uma criança; aumenta a capacidade afetiva, vemos muito isso em crianças que não tem irmãozinhos ou não frequentam escolinhas e tem dificuldade em dividir a atenção. Muitas vezes essas crianças se sentem ameaçadas por outras e se comportam diferente para chamar a atenção da professora de alguma forma.
Com a experiência aprendemos que tudo tem que ser com jeitinho e de forma justa, ajudar a criança a desenvolver afeto pela amiguinha e entender que a amiguinha também quer ficar perto da professora ou que também quer ser primeira da fila em algum momento. Temos que estar atentos o tempo todo durante a aula, enquanto criamos e imaginamos atividades temos que observar o comportamento de cada criança e dar atenção por igual, pois elas se sentem deixadas de lado muito fáceis.
A criança não deve ser forçada a ficar na aula de ballet, vemos muitos casos onde mães querem muito ver suas pequenas no ballet, mas as crianças não tem interesse por tal atividade. Devemos apresentar o ballet a essas crianças de forma prazerosa e se elas não demostrarem nenhum interesse devemos comunicar aos pais e indicar que busquem outra atividade física que elas tenham mais prazer.
Além da socialização, o ballet ajuda muito no desenvolvimento motor, a criança responde fisicamente ao ambiente e condição que a impomos, por isso nada deve ser forçado, tudo tem que ser de forma lúdica e natural para não causar traumas tanto físicos como psicológicos. Crianças com dificuldades motoras muitas vezes fogem do convívio social, fogem de atividades físicas e podem levar consigo esse problema para vida adulta.
A descoberta de seu corpo e os estímulos dados durante a aula é muito importante para o desenvolvimento cognitivo, por isso não adianta passarmos os movimentos como uma tarefa ou exercício, tudo tem que se encaixar de forma lúdica e estimulante para que elas entrem naquela atividade por prazer.
Ao estimular uma criança em seu lado criativo, ajudamos a desenvolver a cognição e a criatividade, a capacidade de desenvolver movimentos e criar sua própria dança.
A dança livre é muito estimulante, deixamo-las escolherem a música que querem dançar para ter o prazer na dança, e também colocamos músicas da nossa escolha para que desenvolvam ritmo e musicalidade.
Atividades com elementos como bambolês, bolas, lenços, passarela; desenvolvem a coordenação motora, equilíbrio e resistência, além de serem divertidas e alegres.
As coreografias ajudam muito no desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo. Ao criar coreografias devemos encaixar as crianças em um conto, com a música, usando combinações de movimentos e posições básicas do ballet, de forma que elas sintam a música e o ritmo, estimulando a noção espacial, lateralidade, expressão corporal, disciplina e memorização. 
Em toda atividade é de extrema importância prestar a atenção em cada aluna, elogiar, corrigir com carinho e mostrar interesse pelo que a aluna está executando, mostrando afeto sempre que possível, com abraços e sorrisos.
A professora na sala de aula tem que ser um exemplo para as crianças. Normalmente elas copiam a professora, nas roupas, modo de agir, por isso devemos sempre estar alinhadas e com roupas adequadas para uma aula de ballet.
Às vezes fica difícil achar um meio termo entre uma aula alegre e uma verdadeira bagunça, mas devemos sempre encontrar um equilíbrio para ser admirada e respeitada. Devemos passar autoconfiança e delicadeza ao mesmo tempo, tem crianças que tentam desarmar a professora de várias formas, mas sempre temos que nos impor sem berros e descontrole, quando adquirimos esse controle basta um olhar sério e firmeza na voz para que todas entendam que estão passando dos limites, e se necessário chamar a atenção individualmente, tentar fazer com carinho mesmo que seja de forma séria.
As meninas respondem muito fáceis a estímulos de carinho e delicadeza, como transformar todas em princesas com a varinha mágica da professora, e mostrar que princesas são lindas, delicadas, não berram, são boas com as amiguinhas, principalmente as princesas bailarinas (risos).
Ao trabalhar com crianças percebemos o quanto nos tornamos importantes na vida delas, e que podemos passar a arte da dança como algo maravilhoso e que elas levarão para o resto da vida.

Conclusão
Nesse estudo de ballet infantil me aprofundei no mundinho inocente de pensamentos e movimentos mais puros, onde temos função de ser incentivadoras e exemplos de algo belo e disciplinado. Com esse estudo pude ver o valor da teoria do que vivemos na prática.
Ser professora de baby class vai muito além de ensinar passos e movimentos, é ensinar uma forma de viver onde a felicidade está em respirar a arte que amamos e viver de forma a buscar nosso melhor para passar para crianças que nos admiram e se lembrarão de nós por toda vida. 

Texto da atividade dissertativa da aluna Pamela do curso 
Introdução ao Ensino ao Baby Class Ballet


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