terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Especial de Natal: O Quebra-Nozes

Por Melissa de Sá


É Natal é Natal e uma das histórias mais ouvidas nos cantos por aí é justamente O Quebra-Nozes. Essa história infantil de fantasia sobre uma menina, um boneco quebra-nozes e suas aventuras na noite de Natal é contada e recontada de diversas formas todo fim de ano. Temos vários especiais de filmes, seriados, desenhos animados e peças de teatro passando por aí justamente com essa trama. Mas vocês sabem qual é a origem desse conto de Natal? Leiam esse post para descobrir.
Errou quem disse que é o ballet O Quebra-Nozes. ho ho ho Eu também fiquei pasma. Mas O Quebra-Nozes original é um conto de E.T.A. Hoffmann, um autor alemão do século 19. Hoffman escreveu várias histórias de horror e fantasia e um de seus contos mais conhecidos é “O Homem de Areia” (“Der Sandmann”). Inclusive o nome de Hoffman não é estranho (sic) para quem estudou um pouco de psicanálise, uma vez que Freud interpretou “O Homem de Areia” em seu famoso ensaio “O Estranho” (“Das Unheilmiche”) de 1919.
O Quebra-Nozes e o Rei Rato ( Nussknacker und Mausekönig) foi publicado em 1916 e é considerada uma obra de fantasia infantil. Na história de Hoffman, Marie, uma menina de sete anos, ganha de seu padrinho, um relojoeiro, uma espécie de relógio-castelo com bonecos que se mexiam dentro dele. De início, Marie e as outras crianças da casa ficam maravilhadas com o presente, mas logo perdem o interesse nele porque por mais que um relógio-castelo seja interessante, ele se torna repetitivo depois de um tempo. Entediada, ela encontra um boneco quebra-nozes e seu pai, tentando animá-la, diz que a garota será a guardiã dele. Quando o irmão de Marie quebra o maxilar do boneco ao tentar quebrar uma noz muito grande nele, Marie cuida do boneco colocando uma “bandagem” nele, coloca-o para dormir e diz a ele que seu padrinho consertará seu maxilar quebrado. Nessa hora, a menina tem a impressão que o boneco sorri.
Mas as coisas ficam mais estranhas. Enquanto todos dormem, Marie tem a impressão de ver seu padrinho sentado no relógio-castelo, de modo que o mesmo não dê as badaladas da meia-noite. Um monte de ratos sai da geringonça, as bonecas lá dentro tomam vida e o Rei Rato, que tem sete cabeças, aparece para uma verdadeira batalha. O quebra-nozes se junta à confusão e quando ele está quase sendo sequestrado pelo Rei Rato, Marie o salva, mas acaba se cortando com um pedaço de vidro. Na manhã seguinte, a garota acorda e conta a todos o que aconteceu, mas ninguém acredita, dizendo que era tudo alucinação por causa de sua ferida, que a deixou com febre. Mas o padrinho da menina conta a ela uma história sobre a maldição do Quebra-nozes, uma história bastante estranha. Ainda intrigada com tudo que ouve, Marie começa a ser ameaçada pelo Rei Rato e decide defender o Quebra-nozes a todo custo. No final do conflito, ela viaja com o Quebra-nozes para uma terra mágica e vê coisas incríveis.
Não vou contar mais da história, mas já digo que ela é um pouco diferente da que estamos acostumados. Um pouco mais estranha, eu diria. Vocês podem comprar o ebook do conto de Hoffmann por um preço muito barato (pouco mais que R$2) na Amazon e Kobo (em inglês). Em português, vocês podem encontrar em qualquer antologia de contos do Hoffmann. Não achei nenhuma versão em ebook traduzida. Mas tem o original alemão, que é gratuito, caso alguém queira. rs
Em 1844. Alexandre Dumas pai (sim, aquele de Os Três Mosqueteiros) fez uma versão para essa mesma história entitulada Histoire d’un casse-noisette, conhecida em inglês como The Tale of the Nutcracker (O Conto do Quebra-Nozes, numa tradução para português). Pelas informações que encontrei na internet, Dumas acrescentou vários detalhes à história de Hoffmann, mas manteve a linha de história original. No entanto, Marie na versão de Dumas se chama Mary e o Quebra-nozes ganha o nome de Nathaniel.  Pode parecer estranho que um autor faça uma versão da história de outro, mas é preciso ter em mente que no século 19 essa era uma prática comum e a noção de direitos autorais estava ainda se desenvolvendo. Existe uma publicação da Penguin com a história de Hoffmann e de Dumas juntas. Vocês podem enocontrar na Amazon e Kobo (em inglês). Não achei traduções do texto de Dumas para português.
O Quebra-Nozes de Dumas fez bastante sucesso na época e inspirou a criação do ballet O Quebra-Nozes. Tchaikovsky, depois do bem-sucedido A Bela Adormecida(1890), foi convidado a compor mais um ballet. Novamente, ele trabalhou com Marius Petipa (grande coreógrafo do ballet russo) que escolheu a adaptação de Dumas para um ballet em dois atos. Petipa parece ter sido bem exigente com Tchaikovsky, precisando detalhes bastante específicos para a composição. No entanto, Petipa ficou doente durante o trabalho coreográfico e seu assistente, Lev Ivanov, fez grande parte das coreografias. Então quando falamos no Quebra-Nozes de Petipa, estamos na verdade falando do Quebra-Nozes de Petipa e Ivanov.
Alguns detalhes foram omitidos nessa adaptação, o mais significante deles é a parte em que o padrinho de Marie conta a ela a origem do Quebra-nozes. No ballet, o primeiro ato é a Noite de Natal da família e o segundo é a viagem para a terra mágica. Os nomes dos personagens também variam. O libreto de Petipa mantém o nome Marie, mas em algum momento ela passou a se chamar Clara (não encontrei exatamente quando). Na história de Hoffmann, Clara é o nome da boneca de Marie. Na Rússia, a protagonista tem o nome de Marsha.
O engraçado é que O Quebra Nozes, lançado em 1892, teve resenhas ambíguas. A maioria das críticas negativas apontavam o fato de o ballet ser dançado quase que majoritariamente por crianças (na época, Clara e o Quebra-Nozes, os grandes protagonistas, foram interpretados por dois alunos de ballet, não por adultos, como vemos com frquência hoje em dia). A prima-bailarina só aparecia no final do segundo ato, para dançar o Grand Pas De Deux (quando um bailarino e uma bailarina dançam juntos) da Fada Açucarada e Seu Cavaleiro. As críticas mais positivas ficaram mesmo para a música de Tchaikovsky.
Na produção original de O Quebra Nozes: Stanislava Belinskaya como a menina Marie/Clara e Vassily Stukolkin como o irmão de Clara, Fritz.
Desde então, muitos revivals e adaptações do ballet aconteceram. Inúmeros coreógrafos refizeram O Quebra-Nozese hoje em dia é mais comum ver Clara e o Quebra-Nozes sendo interpretados por adultos. Algumas coreografias são mais baseadas na obra de Petipa e Ivanov, outras já constroem algo totalmente diferente.
A tradição de se dançar O Quebra-Nozes no Natal começou em 1944, quando o San Francisco Ballet, companhia dos Estados Unidos, remontou o espetáculo com enorme sucesso. Desde então companhias de dança dos EUA e de todo o mundo preparam uma versão de O Quebra-Nozes para o fim do ano.
Pode-se dizer que é por causa do ballet e seu enorme sucesso nos EUA que O Quebra-Nozes se tornou uma tradição natalina. É impossível hoje acompanhar o número de adaptações literárias, fílmicas e artísticas dessa história, que realmente tomou conta do Natal. Quando criança, lembro que sempre via algum desenho animado contar essa história num especial de fim de ano e o primeiro filme que vi com essa história sendo contada inteira foi um filme da Barbie. Sério.
A música de Tchaikovsky para esse ballet é muito mais conhecida do que se pode imaginar. Certamente é possível reconhecer trechos desse ballet não só no Natal (quando toda loja de departamento toca), mas também em valsas de quinze anos, casamentos e outros eventos. Mas vale a pena conhecer as origens: que seja o conto de Hoffmann ou o ballet. É arte para todos os gostos.
A seguir, alguns trechos famosos do ballet:

Variação da Fada Açucarada



Valsa das Flores




Algumas fotos:








Feliz Natal!

Fonte: Postagem do site Livros de Fantasias

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